Nos últimos meses, o comércio internacional foi surpreendido por um movimento que reacendeu discussões sobre protecionismo, dependência de mercados e a importância da diversificação nas exportações brasileiras: o “tarifaço” imposto pelos Estados Unidos a determinados produtos importados.
A medida impactou diretamente produtores e exportadores do Brasil, especialmente aqueles que dependem fortemente do mercado norte-americano para escoar seus produtos.
Diante desse cenário, o governo brasileiro anunciou um pacote emergencial de medidas para aliviar os prejuízos e oferecer alternativas imediatas. Entre as ações destacam-se:
- Ampliação das compras públicas de alimentos nacionais, direcionadas a escolas, hospitais, presídios e às Forças Armadas.
- Apoio com linhas de crédito especiais.
- Adiamento no pagamento de impostos.
- Reforço em programas já existentes como Drawback e Reintegra, que garantem estímulos fiscais às exportações.
Segundo o vice-presidente e ministro da Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, tais medidas não terão impacto fiscal adicional, já que envolvem a antecipação de créditos tributários que pertencem, por direito, aos próprios exportadores.
Mas o que esse pacote representa de fato para os produtores brasileiros?
E, mais importante: será suficiente para preparar o país para os desafios de um comércio global cada vez mais competitivo?
É aqui que entra a análise de Cristiane Fais, CEO da ACCROM Consultoria em Logística Internacional, especialista em importação e exportação com ampla experiência no setor.
Alívio imediato, mas não solução definitiva
Para Cristiane Fais, a decisão do governo é positiva e necessária para garantir que pequenos e médios produtores não fiquem sem mercado em um momento de instabilidade.
“O pacote é fundamental para garantir que segmentos que dependem muito das exportações para os Estados Unidos não fiquem à deriva. Produtos como açaí, mel, castanhas, pescados e frutas tropicais têm no mercado norte-americano um destino importante. Sem medidas emergenciais, a perda de competitividade poderia comprometer milhares de empregos e negócios familiares”, avalia Fais.
Contudo, ela faz um alerta: essas medidas são paliativas.
Ou seja, tratam os sintomas da crise, mas não eliminam as vulnerabilidades estruturais do comércio exterior brasileiro.
O risco da dependência de um único mercado
O episódio reforça uma das lições mais importantes do comércio internacional: não concentrar esforços em apenas um destino.
Segundo Fais, essa prática pode expor empresas a riscos desnecessários.
“Quando uma empresa concentra suas vendas em apenas um país ou bloco econômico, fica extremamente vulnerável a mudanças repentinas — como aumento de tarifas, novas regulamentações ou até crises políticas e sanitárias. Diversificar é a chave para reduzir riscos e garantir maior estabilidade”, destaca a especialista.
Esse raciocínio é ainda mais válido quando olhamos para o histórico de relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.
Embora o país norte-americano seja um dos principais compradores de produtos brasileiros, o cenário global abre espaço para oportunidades em outros destinos, como União Europeia, Oriente Médio, Ásia e até países africanos em expansão.
Diversificação: de discurso à prática
Na teoria, a diversificação parece um caminho óbvio. Mas na prática, exige preparo, planejamento e investimento em inteligência de mercado.
De acordo com a ACCROM, há três pilares para que produtores e exportadores consigam avançar nessa direção:
- Mapeamento de novos mercados: análise detalhada sobre países com demanda para determinado produto, considerando questões como poder aquisitivo, hábitos de consumo, barreiras tarifárias e exigências sanitárias.
- Adequação logística e documental: exportar para novos destinos exige conhecimento profundo das normas técnicas e sanitárias, além da adaptação de embalagens, rótulos e certificações.
- Parcerias estratégicas: contar com consultorias especializadas, como a ACCROM, pode acelerar o processo e evitar erros que custam caro. A internacionalização bem-sucedida requer rede de contatos e compreensão da burocracia envolvida em cada país.
O papel das compras públicas no curto prazo
Enquanto a diversificação é estruturada no médio e longo prazo, o pacote do governo atua como uma espécie de “colchão de segurança”.
Ao ampliar as compras públicas, o governo brasileiro cria uma demanda garantida para produtos que poderiam enfrentar dificuldades de escoamento.
Isso significa que alimentos como açaí, mel e pescados, que perderam competitividade nos EUA após o tarifaço, encontram agora espaço em programas de alimentação escolar, hospitais públicos e até no fornecimento para as Forças Armadas.
Essa medida garante giro de estoque e preserva o caixa de pequenos produtores, evitando que quebrem diante da crise.
Impactos para diferentes setores
O efeito das tarifas impostas pelos EUA não se limita a um segmento isolado.
Ele se espalha pela cadeia produtiva, atingindo desde cooperativas familiares até grandes tradings. A seguir, alguns exemplos:
- Agronegócio de nicho: produtores de frutas tropicais, como açaí e goiaba, encontram no mercado americano consumidores dispostos a pagar mais por qualidade. A perda desse mercado pode desestimular investimentos locais.
- Produtos da sociobiodiversidade: castanhas e mel geram renda para comunidades tradicionais da Amazônia. Sem alternativas, essas populações ficam ainda mais vulneráveis.
- Setor pesqueiro: o peixe brasileiro tem espaço crescente no mercado global, mas tarifas elevadas reduzem competitividade frente a países com subsídios internos.
Esses exemplos ilustram porque as medidas emergenciais são importantes, mas reforçam a necessidade de ir além.
O alerta estratégico para empresas brasileiras
Segundo Cristiane Fais, o cenário atual deve ser interpretado como um chamado à ação para os exportadores brasileiros.
“É preciso agir de forma preventiva, não apenas reativa. Com inteligência de mercado e suporte técnico adequado, os exportadores conseguem reduzir a dependência de um único parceiro comercial. Esse é o caminho para construir uma logística internacional mais sólida e menos vulnerável”, reforça.
Nesse sentido, ela destaca três estratégias que podem ser aplicadas pelas empresas a partir de agora:
- Investir em inteligência de mercado internacional: conhecer tendências globais, hábitos de consumo e identificar países que podem se tornar novos compradores.
- Aproveitar acordos comerciais existentes: o Brasil possui relações ativas com diversos blocos econômicos. Muitas vezes, empresas desconhecem benefícios tarifários que poderiam tornar sua operação mais competitiva.
- Fortalecer a marca e o branding internacional: produtos brasileiros possuem atributos únicos, como biodiversidade, sustentabilidade e sabor. Transformar esses diferenciais em valor percebido é fundamental para conquistar novos mercados.
O papel da ACCROM no apoio aos exportadores
Diante desse cenário, empresas como a ACCROM Consultoria em Logística Internacional desempenham papel decisivo.
A consultoria auxilia produtores e indústrias em todas as etapas do processo de internacionalização, desde a prospecção de mercados até a gestão logística e o cumprimento das exigências legais.
A metodologia de trabalho da ACCROM combina:
- Planejamento estratégico para reduzir riscos.
- Gestão logística personalizada, garantindo que produtos cheguem com qualidade e dentro das normas.
- Capacitação dos exportadores, para que possam tomar decisões mais conscientes e sustentáveis.
Ao longo dos anos, a empresa tem atuado como parceira de negócios de diferentes portes, ajudando a transformar desafios em oportunidades de crescimento global.
Conclusão: crise como oportunidade
O tarifaço dos Estados Unidos trouxe preocupação e instabilidade, mas também abriu espaço para reflexões importantes sobre a forma como o Brasil conduz sua inserção no comércio global.
As medidas do governo são bem-vindas e oferecem fôlego imediato aos produtores. Mas, como aponta Cristiane Fais, o verdadeiro diferencial está em transformar esse episódio em um ponto de virada para as empresas brasileiras.
Com planejamento, diversificação e o suporte de especialistas, o país pode não apenas superar os impactos atuais, mas conquistar novos mercados e fortalecer sua posição no cenário internacional.
“O desafio é grande, mas o Brasil tem potencial incomparável em biodiversidade, qualidade de produtos e capacidade produtiva. O momento é de se reinventar e de assumir uma postura mais estratégica diante do comércio global”, conclui Fais.





