O comércio exterior de Ribeirão Preto iniciou 2026 apresentando resultados bastante positivos e confirmando a importância crescente da cidade no cenário internacional. Dados do Comex Stat, sistema oficial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), mostram que, no primeiro quadrimestre deste ano, as exportações do município cresceram 27% em relação ao mesmo período de 2025, enquanto as importações registraram alta de 19%.
Os números refletem um ambiente de maior competitividade para as empresas da região, que vêm ampliando sua presença em mercados internacionais e consolidando Ribeirão Preto como um importante polo exportador do interior paulista.
Exportações em ritmo acelerado
Entre janeiro e abril de 2026, as exportações de Ribeirão Preto passaram de US$ 184,4 milhões para US$ 219,9 milhões, um crescimento expressivo que demonstra a capacidade das empresas locais de atender às exigências do mercado global.
No mesmo período, as importações também avançaram, saltando de US$ 95,2 milhões para US$ 121,3 milhões, indicando aumento na atividade econômica e maior movimentação da indústria regional, que depende de matérias-primas, equipamentos e insumos importados para manter sua competitividade.
Esse desempenho evidencia não apenas o fortalecimento da economia local, mas também a crescente inserção internacional das empresas instaladas na região.
Empresas mais preparadas para competir globalmente
Para Cristiane Fais, coordenadora do Núcleo de Comércio Exterior do CIESP nas regiões de Ribeirão Preto, Franca e Sertãozinho e CEO da ACCROM Estratégias em Comércio Exterior, os resultados demonstram uma evolução importante na maturidade das empresas locais.
Segundo ela, o crescimento das exportações representa muito mais do que um aumento nas vendas internacionais.
“O crescimento das exportações demonstra que nossas empresas estão mais competitivas e preparadas para atuar no mercado global. Esse avanço não representa apenas aumento nas vendas externas, mas também maior geração de emprego, renda, investimentos e fortalecimento das cadeias produtivas da região.”
Na prática, quando empresas conseguem expandir suas operações internacionais, toda a economia regional tende a se beneficiar. A demanda por produção aumenta, novos investimentos são realizados e diversos setores da cadeia produtiva passam a crescer de forma integrada.
Diversificação de mercados reduz riscos
Outro aspecto importante identificado no levantamento é a diversificação dos destinos das exportações.
Enquanto as vendas internacionais estão distribuídas entre diversos países, as importações permanecem concentradas em um número menor de fornecedores internacionais. Essa característica demonstra que as empresas exportadoras da região vêm reduzindo sua dependência de mercados específicos, tornando suas operações mais resilientes diante das oscilações da economia mundial.
Para Cristiane Fais, essa diversificação é um dos pilares da competitividade internacional.
“Quanto maior a diversificação dos mercados compradores, menor a dependência de um único país e maior a resiliência das empresas diante das oscilações da economia internacional. Essa estratégia fortalece a competitividade e reduz riscos para os exportadores.”
Nos últimos anos, acontecimentos como conflitos geopolíticos, interrupções logísticas, crises econômicas e mudanças tarifárias reforçaram a importância de possuir uma carteira diversificada de clientes e mercados internacionais.
Competitividade vai muito além do preço
O levantamento também aponta crescimento em diferentes segmentos exportadores, impulsionados pela demanda internacional por produtos industriais, minerais e itens com maior valor agregado.
Esse cenário acompanha uma transformação importante no comércio exterior mundial. Hoje, competir internacionalmente deixou de depender exclusivamente do preço.
Empresas que desejam crescer no mercado global precisam investir em fatores como eficiência logística, inovação, sustentabilidade, rastreabilidade, tecnologia, conformidade regulatória e inteligência comercial.
Segundo Cristiane Fais, esses elementos passaram a fazer parte da estratégia das organizações que buscam consolidar sua presença internacional.
“Estamos vivendo um momento em que competitividade envolve muito mais do que preço. Eficiência logística, inovação, sustentabilidade, rastreabilidade e inteligência comercial passaram a fazer parte da estratégia das empresas que desejam crescer internacionalmente. Quem investir nesses pilares estará mais preparado para aproveitar as oportunidades que surgem no comércio global.”
Brasil amplia protagonismo no comércio internacional
O desempenho registrado por Ribeirão Preto acompanha uma tendência observada em diferentes setores da economia brasileira.
Nos últimos anos, o país vem fortalecendo sua participação em mercados estratégicos por meio do crescimento das exportações do agronegócio, da indústria, dos biocombustíveis e de produtos com maior valor agregado.
Esse movimento amplia a imagem do Brasil como fornecedor confiável e parceiro estratégico para diversos países.
Na avaliação de Cristiane Fais, o momento representa uma oportunidade para empresas que desejam iniciar ou expandir suas operações internacionais.
“O país vem acumulando avanços importantes em diversas frentes, desde os biocombustíveis até a ampliação das exportações de produtos industrializados e do agronegócio. Esse conjunto de fatores fortalece a imagem do Brasil como parceiro estratégico do comércio mundial e cria novas oportunidades para empresas que desejam expandir seus negócios no exterior.”
O desafio agora é manter o crescimento
Apesar dos resultados positivos, manter esse ritmo de expansão exige planejamento e investimentos contínuos.
Entre os principais desafios estão a modernização da infraestrutura logística, ampliação dos acordos comerciais, redução de barreiras internacionais, qualificação das empresas para atender às exigências dos mercados externos e maior investimento em inovação.
Além disso, fatores como a recente intensificação das disputas comerciais entre grandes economias reforçam a necessidade de uma estratégia sólida de internacionalização, permitindo que empresas brasileiras diversifiquem mercados e reduzam sua exposição a riscos.
Nesse contexto, o comércio exterior deixa de ser apenas uma alternativa de crescimento e passa a ocupar papel estratégico no desenvolvimento das empresas.
Como destaca Cristiane Fais:
“O comércio exterior continuará sendo um dos principais motores do desenvolvimento econômico brasileiro. As empresas que investirem em planejamento, inteligência de mercado e internacionalização terão vantagens competitivas cada vez maiores nos próximos anos.”
Os números do primeiro quadrimestre de 2026 mostram que Ribeirão Preto está inserida nesse movimento de transformação. O crescimento das exportações, aliado ao fortalecimento da competitividade das empresas locais, confirma o potencial da região para ampliar sua presença no mercado internacional e contribuir de forma cada vez mais relevante para o desenvolvimento econômico do país.



