O comércio exterior brasileiro segue firme e promissor, mesmo diante de desafios como o recente tarifaço imposto pelos Estados Unidos. Duas importantes notícias impulsionaram o setor no início de agosto: a habilitação de 183 novas empresas brasileiras para exportar café à China e o crescimento de 55,4% das exportações para a Argentina no primeiro semestre de 2025.
Esses movimentos sinalizam uma tendência de diversificação dos parceiros comerciais do Brasil e reforçam a importância estratégica de buscar novos mercados e fortalecer laços com países-chave no cenário global.
China: mercado em expansão para o café brasileiro
No dia 2 de agosto, a Embaixada da China no Brasil anunciou oficialmente a habilitação de 183 novas empresas para exportar café ao país asiático. A medida, que entrou em vigor no dia 30 de julho e tem validade de cinco anos, é resultado de um processo de negociação entre os dois países e foi celebrada por produtores e representantes do setor cafeeiro nacional.
O anúncio, feito na rede social X (antigo Twitter), reforçou que o café está “conquistando espaço no dia a dia dos chineses”. Apesar do consumo per capita ainda estar bem abaixo da média global — 16 xícaras por ano na China contra 240 no restante do mundo —, esse dado demonstra o enorme potencial de crescimento da bebida no país asiático.
Segundo a própria embaixada, entre 2020 e 2024, as importações líquidas de café pela China aumentaram em 13,08 mil toneladas. Isso reflete não só a expansão do gosto chinês pela bebida, mas também uma gradual abertura do país ao produto brasileiro, consolidando o Brasil como parceiro estratégico no fornecimento de café de qualidade.
Tarifaço dos EUA não desanima o comércio exterior brasileiro
A boa notícia da China foi divulgada no mesmo dia em que os Estados Unidos anunciaram o aumento das tarifas de importação sobre diversos produtos brasileiros. A medida foi assinada pelo presidente Donald Trump e impacta setores relevantes da pauta exportadora nacional. Apesar disso, especialistas do setor continuam otimistas quanto ao desempenho brasileiro no comércio internacional.
“Apesar da nova tarifa americana, há esperança para os exportadores brasileiros, especialmente porque alguns produtos tiveram redução de tributos, como soja, milho e etanol, o que mantém importantes canais comerciais abertos com os EUA”, avalia Cristiane Fais, CEO da ACCROM Consultoria em Logística Internacional.
Exportações para a Argentina disparam e garantem superávit
Outro destaque positivo vem da relação comercial com a Argentina, o principal parceiro do Brasil no Mercosul. No primeiro semestre de 2025, as exportações brasileiras para o país vizinho cresceram 55,4% em relação ao mesmo período do ano anterior, totalizando R$ 9,12 bilhões.
Com esse desempenho, o superávit comercial do Brasil com a Argentina chegou a US$ 2,95 bilhões. Entre os principais produtos exportados estão:
- Veículos de passageiros (21,6% do total)
- Autopeças e acessórios (9,7%)
- Veículos de carga (6,4%)
Além disso, o setor agropecuário também se destacou. As exportações de carne bovina saltaram de US$ 818 mil (jan-abr/2024) para US$ 14,07 milhões no mesmo período de 2025, evidenciando a retomada da demanda argentina por alimentos brasileiros.
Diversificação como estratégia de resiliência
Para Cristiane Fais, o atual cenário mostra que o Brasil tem conseguido se adaptar rapidamente às mudanças no comércio global e fortalecer sua presença em mercados estratégicos.
“Com o avanço das exportações para a Argentina e a abertura cada vez maior da China, o Brasil mostra resiliência e capacidade de adaptação às mudanças no comércio global, mesmo diante de medidas protecionistas vindas dos EUA.”
Olhar para o futuro
As perspectivas para o segundo semestre de 2025 são positivas. A tendência é de maior diversificação das parcerias comerciais, com foco em blocos econômicos como Mercosul, BRICS e ASEAN. O agronegócio, a indústria automobilística e o setor de alimentos seguem como pilares fundamentais da pauta exportadora brasileira.
A ACCROM continuará apoiando empresas brasileiras na superação dos desafios logísticos e na identificação de oportunidades nos mercados internacionais, reforçando sua missão de ser parceira estratégica no crescimento global dos negócios nacionais.





