Por Cristiane Fais – CEO ACCROM Consultoria em Logística Internacional
Análise do cenário atual
O cenário logístico brasileiro em 2026 começa sob forte pressão, impulsionado principalmente pela elevação dos custos de combustíveis e por um ambiente internacional instável. Nos últimos dias, observamos uma escalada relevante no preço do diesel, com impacto direto sobre a logística nacional — especialmente no transporte rodoviário, responsável por aproximadamente 65% da movimentação de cargas no país.
Esse movimento não ocorre de forma isolada. Ele está diretamente conectado a fatores estruturais e geopolíticos que ampliam o risco operacional e aumentam a complexidade das decisões logísticas.
Pressão internacional sobre o petróleo
O ambiente global tem sido impactado por tensões no Oriente Médio, especialmente envolvendo o Estreito de Ormuz — corredor estratégico por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial.
A recente disrupção no tráfego marítimo da região elevou significativamente a percepção de risco energético e logístico global, provocando efeitos em cadeia:
- aumento do preço do barril de petróleo;
- elevação dos custos de frete marítimo internacional;
- ampliação do prêmio de risco nas operações logísticas e energéticas.
No Brasil, esse impacto é ainda mais sensível, considerando que o país depende parcialmente da importação de diesel para suprir sua demanda interna, o que torna o mercado doméstico altamente exposto às variações internacionais.
Reajuste do diesel e efeito cascata
Em 13 de março, a Petrobras anunciou reajuste de R$ 0,38 por litro no preço de venda do diesel A para distribuidoras, com vigência a partir de 14 de março. A medida reflete tanto a pressão internacional quanto a política de preços alinhada ao mercado global.
Esse reajuste gera um efeito cascata imediato em toda a cadeia logística:
- aumento do custo operacional das transportadoras;
- necessidade de recomposição das tabelas de frete;
- impacto direto na formação de preços de produtos e serviços.
Além disso, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) atualizou os pisos mínimos de frete, conforme previsto na legislação, após a variação do diesel — o que reduz a flexibilidade de negociação no curto prazo e torna o ambiente mais regulado e rígido.
Pressão estrutural do setor de transporte
É importante destacar que o setor de transporte rodoviário já vinha operando sob pressão desde o segundo semestre de 2025. Custos como combustível, manutenção de frota, peças, insumos e capital já apresentavam tendência de alta.
O cenário atual intensifica essa pressão, exigindo uma recomposição mais rápida e consistente dos fretes para garantir a sustentabilidade das operações.
Sem esse ajuste, o risco de descontinuidade operacional aumenta significativamente, afetando não apenas transportadoras e caminhoneiros, mas toda a cadeia produtiva.
Risco de paralisação: contexto atual
A possibilidade de paralisação dos caminhoneiros voltou ao centro do debate logístico nesta semana, trazendo à memória os impactos da greve de 2018 — um dos eventos mais críticos da logística brasileira recente, marcado por desabastecimento, paralisação produtiva e prejuízos bilionários.
Na quinta-feira, 19 de março, a proposta de paralisação foi suspensa temporariamente após negociações com o governo federal. Entre os pontos discutidos, destacam-se:
- reforço na fiscalização do cumprimento do piso mínimo de frete;
- maior rigor regulatório sobre contratantes e transportadoras;
- alinhamento com diretrizes estabelecidas pela ANTT.
Apesar do recuo momentâneo, o cenário ainda exige atenção. O risco não está eliminado — apenas postergado.
Análise crítica: equilíbrio entre os players
O momento exige uma análise técnica e equilibrada, considerando os três principais grupos impactados:
Caminhoneiros: enfrentam aumento expressivo de custos diretos e indiretos, com margens cada vez mais comprimidas e necessidade de garantir a viabilidade da atividade.
Transportadoras: lidam com elevação do custo operacional e precisam repassar rapidamente esses aumentos para evitar prejuízos e rupturas contratuais.
Empresas contratantes (indústrias, importadores e exportadores): enfrentam aumento de custos logísticos não previstos, com dificuldade de absorção no curto prazo e necessidade de revisão de preços ao consumidor final.
A conclusão é clara: a recomposição dos fretes não é uma escolha, mas uma necessidade para manter a operação ativa e evitar um cenário mais crítico.
Posicionamento ACCROM
Na ACCROM, atuamos com uma abordagem estratégica, técnica e preventiva diante desse cenário.
Estamos acompanhando continuamente:
- as movimentações do setor de transporte;
- a evolução dos custos de combustível;
- os impactos regulatórios e operacionais sobre as cadeias logísticas.
Nosso foco está no reequilíbrio sustentável de custos, buscando:
- mitigar impactos financeiros para nossos clientes;
- preservar a viabilidade dos parceiros logísticos;
- garantir continuidade operacional com segurança e previsibilidade.
O reajuste dos fretes não é uma decisão isolada. Trata-se de uma consequência direta de um contexto macroeconômico complexo, que exige leitura estratégica e tomada de decisão rápida.
Mais do que reagir ao cenário, é necessário antecipar riscos, ajustar rotas e redesenhar estratégias logísticas.
Seguiremos acompanhando a evolução deste ambiente e atualizando o mercado com análises técnicas e orientações estratégicas.
Cristiane Fais
CEO – ACCROM Consultoria em Logística Internacional
🌐 www.accrom.com.br





