O comércio exterior brasileiro encerra 2025 com sinais claros de recuperação e projeções otimistas. Dois movimentos internacionais — um nos Estados Unidos e outro na Europa — reacenderam o fôlego de exportadores e importadores brasileiros, abrindo espaço para novas rotas logísticas, competitividade ampliada e rearranjos estratégicos nas cadeias globais de suprimentos.
De um lado, a redução parcial do “tarifaço” imposto pelos EUA; do outro, o avanço final do acordo entre Mercosul e União Europeia. Ambos os fatores têm efeito direto sobre margens, previsibilidade e decisões de investimento de empresas de todos os portes.
EUA reduzem sobretarifas e devolvem competitividade ao Brasil
No cenário norte-americano, o presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva que reduz parte das tarifas extras de 40% aplicadas ao Brasil desde o início do chamado “tarifaço”. A medida reverte os valores de cerca de 700 itens, que voltam a ser taxados apenas pela tarifa base de 10%.
Essa mudança atinge diretamente produtos como:
- café e derivados
- carne bovina
- banana, manga, açaí e outras frutas tropicais
- cacau e produtos da sociobiodiversidade
- insumos agrícolas e itens alimentícios de alto giro
Ainda assim, cerca de 22% das exportações brasileiras permanecem sob tarifa elevada, afetando principalmente:
- o setor calçadista — com forte peso econômico na região de Franca (SP)
- máquinas e equipamentos
- vinhos
- componentes industriais diversos
Mesmo com esses pontos de atenção, a reação do mercado é majoritariamente positiva. Para empresas exportadoras, a redução tarifária representa a devolução de margem de lucro, retorno da previsibilidade e retomada de embarques que estavam represados devido ao custo elevado.
Impactos imediatos na logística e no fluxo de comércio
Segundo Cristiane Fais, CEO da ACCROM Consultoria em Logística Internacional, o movimento norte-americano reacende a confiança dos operadores e afeta diretamente as decisões de embarque:
“A retirada da sobretaxa de 40% devolve previsibilidade para os exportadores brasileiros, que estavam com margens comprimidas e até segurando contratos. Agora existe espaço real para reativar negociações e ampliar o volume de cargas destinadas aos Estados Unidos.”
Ela destaca que a mudança cria também um ambiente mais favorável para importadores brasileiros:
“Com menos barreiras, os fluxos de insumos agrícolas e produtos intermediários tendem a crescer. Isso fortalece hubs logísticos regionais, incentiva novas rotas e amplia a capacidade de planejamento das cadeias de suprimentos.”
Essa previsibilidade é particularmente relevante em um ano marcado por volatilidade logística global, tensões geopolíticas e aumento de custos de frete em determinadas rotas. Assim, qualquer alívio tarifário torna o Brasil mais competitivo e reduz o risco operacional.
Acordo Mercosul–União Europeia avança e abre portas para 440 milhões de consumidores
Enquanto o cenário com os EUA se estabiliza, o comércio exterior brasileiro recebe outra notícia positiva: o acordo Mercosul–União Europeia está previsto para ser formalizado ainda em dezembro.
O pacto promete:
- ampliar o acesso de produtos brasileiros a um mercado de 440 milhões de consumidores
- reduzir ou eliminar tarifas de forma progressiva
- criar normas de comércio mais claras, previsíveis e integradas
- favorecer cadeias de suprimentos mais conectadas entre os blocos
Embora alguns setores — como o de vinhos — esperem aumento da concorrência interna, o saldo geral é considerado amplamente positivo. Entre os segmentos mais beneficiados estão:
- proteína animal (bovina, suína e de aves)
- frutas tropicais de alto valor agregado
- café e derivados premium
- etanol e biocombustíveis
- celulose, papel e produtos florestais
- bens industriais e de tecnologia embarcada
- máquinas agrícolas, autopeças e implementos
A eliminação gradual de tarifas também deve estimular investimentos privados em logística, armazenagem, modernização de portos e ampliação de capacidade produtiva.
Uma janela estratégica para o Brasil
Para Cristiane Fais, a combinação entre a redução do tarifaço e a iminente assinatura do acordo Mercosul–UE cria um cenário raro e vantajoso para o Brasil:
“Estamos vendo dois grandes mercados se abrirem simultaneamente. Isso potencializa investimentos logísticos, melhora a previsibilidade regulatória e fortalece a posição do Brasil nas cadeias globais de suprimentos.”
O alinhamento entre América do Norte e Europa coloca o país em uma posição estratégica para os próximos anos, especialmente para empresas que operam com planejamento de médio e longo prazo.
Para ela, trata-se de um momento que exige visão e preparo:
“Empresas que se organizarem agora — com estruturas logísticas eficientes, compliance sólido e estratégias comerciais bem definidas — estarão à frente quando o novo ciclo do comércio internacional se consolidar.”
Desafios permanecem — e requerem atenção constante
Apesar do avanço expressivo, ainda existem pontos de alerta. Parte do tarifaço continua em vigor nos EUA, e a instabilidade regulatória americana pode trazer revisões futuras.
Na Europa, a implementação do acordo dependerá de prazos, fases e adaptações internas, tanto para o Mercosul quanto para a União Europeia.
Para a ACCROM, isso reforça a necessidade de:
- monitoramento contínuo de cenários
- planejamento aduaneiro e tributário
- análises de riscos por rota e por produto
- eficiência logística como diferencial competitivo
Conclusão: 2025 marca o início de um novo ciclo para o comércio exterior brasileiro
Com dois grandes mercados globais afrouxando barreiras simultaneamente, o Brasil entra em um ciclo de oportunidades.
A redução tarifária nos EUA e o avanço do acordo Mercosul–UE não apenas ampliam a competitividade dos produtos brasileiros, como também reforçam a importância de uma logística internacional profissional, estratégica e alinhada às novas regras do jogo.
Empresas que atuam ou desejam atuar no comércio exterior devem aproveitar o momento para reforçar suas operações, ajustar processos e planejar seu crescimento diante desse novo cenário internacional que se desenha.





