Por Cristiane Fais – CEO da ACCROM Consultoria em Logística Internacional
Mesmo diante de um cenário internacional marcado por incertezas, barreiras comerciais e políticas protecionistas, o comércio exterior brasileiro segue demonstrando resiliência. O balanço de agosto de 2025 trouxe um alívio para o mercado: o Brasil fechou o mês com superávit de US$ 6,1 bilhões, resultado positivo que confirma a força das exportações nacionais.
Segundo dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC), as exportações totalizaram US$ 29,9 bilhões, enquanto as importações ficaram em US$ 23,8 bilhões. O saldo representa um crescimento de 3,9% em relação a agosto de 2024, consolidando a posição do Brasil como um dos players mais relevantes do comércio mundial.
No acumulado de janeiro a agosto, as exportações somaram US$ 227,6 bilhões, ligeiro avanço de 0,5% frente ao mesmo período do ano passado. Já as importações subiram 6,9%, atingindo US$ 184,7 bilhões, o que levou a corrente de comércio a US$ 412,35 bilhões – alta de 3,2% em comparação anual.
Esses números são particularmente expressivos quando lembramos que o país enfrenta atualmente o chamado “tarifaço” dos Estados Unidos, que impôs sobretaxas a diversos produtos brasileiros. Ainda assim, o Brasil mostrou capacidade de adaptação, diversificação de destinos e manutenção da competitividade global.
O que é o tarifaço e por que impacta o Brasil
O termo “tarifaço” é utilizado para designar medidas unilaterais de aumento de tarifas sobre produtos importados. Essas políticas, geralmente motivadas por razões protecionistas, visam proteger a indústria local de um país contra a concorrência estrangeira.
No caso mais recente, os Estados Unidos adotaram sobretaxas sobre uma série de produtos brasileiros, em especial do agronegócio e da indústria de base. A justificativa foi proteger produtores locais e reequilibrar a balança comercial, mas o efeito direto foi aumentar o custo de entrada dos produtos brasileiros no mercado americano, tornando-os menos competitivos.
Esse tipo de medida não é novidade. O governo Donald Trump, por exemplo, ficou conhecido pelo uso frequente desse recurso, afetando não apenas o Brasil, mas também China, União Europeia e outros parceiros comerciais. Em geral, o impacto imediato recai sobre exportadores, que precisam renegociar contratos, buscar novos mercados ou absorver parte do prejuízo.
Como o Brasil conseguiu crescer mesmo com o tarifaço
Apesar do desafio, os números mostram que o Brasil encontrou caminhos para superar o impacto das novas tarifas. Isso aconteceu por uma combinação de fatores:
- Diversificação de mercados – Empresas brasileiras buscaram novos destinos para seus produtos, ampliando as exportações para Ásia, África e Oriente Médio, reduzindo a dependência dos Estados Unidos.
- Valorização do agronegócio – O setor agroexportador segue sendo a principal força do Brasil no mercado internacional, com destaque para soja, carnes, açúcar, café e frutas tropicais. A alta demanda global por alimentos mantém o Brasil como fornecedor estratégico.
- Indústria adaptável – Mesmo diante de barreiras, segmentos como aço inox, celulose, mineração e químicos encontraram espaço em novos mercados. A capacidade de ajustar preços e logística foi fundamental.
- Câmbio favorável – O real desvalorizado frente ao dólar também contribuiu, tornando os produtos brasileiros mais baratos e competitivos no exterior.
- Eficiência logística – Apesar de gargalos estruturais, empresas que investiram em planejamento logístico, parcerias com operadores globais e estratégias de compliance conseguiram reduzir custos e manter prazos, garantindo competitividade.
Impactos no mercado de trabalho e na economia brasileira
O comércio exterior não é apenas uma questão de números. Ele tem impacto direto na geração de empregos e renda.
Estudos apontam que empresas que exportam aumentam em média 37% o número de empregados em comparação às que atuam apenas no mercado interno. Isso porque, para atender à demanda internacional, é necessário ampliar a produção, contratar mão de obra especializada, investir em tecnologia e qualificação.
Além disso, a exportação gera divisas para o país, contribui para a estabilidade cambial e fortalece a imagem do Brasil como fornecedor confiável no mercado internacional. Essa presença consolidada é um ativo estratégico que ajuda o país a enfrentar crises internas e externas.
Oportunidades para empresas brasileiras
Apesar dos bons resultados, há ainda um universo de empresas brasileiras que poderiam exportar e não exportam.
Segundo Cristiane Fais, CEO da ACCROM Consultoria em Logística Internacional, isso acontece muitas vezes por falta de informação ou pelo mito de que exportar é um processo complexo demais.
“A queda dessa barreira mental é fundamental. Exportar não é privilégio de grandes corporações. Pequenas e médias empresas também têm espaço, especialmente em nichos de mercado. A internacionalização amplia competitividade, garante mais segurança financeira e fortalece a marca no cenário global”, explica Fais.
Isso significa que negócios de diferentes segmentos – da indústria de transformação ao agronegócio familiar – podem encontrar oportunidades no exterior. Produtos de valor agregado, orgânicos, sustentáveis e inovadores têm recebido cada vez mais atenção em feiras e rodadas de negócios internacionais.
O papel da consultoria especializada
Navegar pelo comércio exterior exige atenção a detalhes técnicos, jurídicos e logísticos. Cada país possui órgãos regulatórios próprios, exigências tributárias, barreiras sanitárias e regras de registro específicas.
Um erro nessa etapa pode comprometer toda uma operação, gerar multas ou até inviabilizar o acesso a determinados mercados. Por isso, contar com consultoria especializada é cada vez mais indispensável.
A ACCROM Consultoria atua justamente nesse ponto: simplificar o processo de internacionalização para empresas de todos os portes, oferecendo suporte completo em:
- Estudos de viabilidade e identificação de mercados potenciais;
- Estruturação de processos de importação e exportação;
- Adequação regulatória e sanitária;
- Planejamento logístico e gestão de riscos;
- Capacitação de equipes internas para o comércio exterior.
Essa estrutura garante que empresas possam se inserir no cenário global com segurança, reduzindo riscos e aumentando as chances de sucesso.
Comparação com outros players globais
Enquanto o Brasil comemora um saldo positivo, é importante entender o cenário global. Outros países também enfrentam desafios semelhantes:
- China: sofre com restrições e tarifas impostas por EUA e União Europeia, mas compensa com investimentos em tecnologia e acordos bilaterais.
- União Europeia: enfrenta instabilidade política e energética, o que pressiona a competitividade de alguns setores.
- Países emergentes: como Índia e México, têm se beneficiado da busca global por diversificação de fornecedores, ganhando espaço em áreas onde antes o Brasil era protagonista.
Esse comparativo mostra que, mesmo diante da concorrência acirrada, o Brasil tem se mantido relevante, principalmente pela força do agronegócio e pela capacidade de adaptação de sua indústria.
Perspectivas para os próximos meses
O resultado de agosto sinaliza que o Brasil tem condições de fechar 2025 com um saldo positivo, mesmo com as tensões internacionais. Entretanto, o cenário exige cautela.
Questões como:
- evolução da política monetária nos EUA,
- estabilidade cambial no Brasil,
- custos logísticos,
- e novos acordos comerciais em andamento
devem influenciar os próximos resultados.
Para Cristiane Fais, o mais importante é que as empresas não se acomodem:
“O comércio internacional é dinâmico e desafiador. É fundamental estar atualizado, buscar novas oportunidades e se preparar para cenários adversos. O que vemos é que as empresas que se antecipam e se estruturam têm muito mais chances de crescer de forma sustentável.”
Conclusão
O superávit de agosto é mais do que um número positivo: é um sinal de resiliência. Mesmo com o tarifaço dos EUA e com um cenário global complexo, o Brasil mostrou que pode manter sua competitividade.
O desafio agora é ampliar o número de empresas brasileiras participando desse processo, derrubando barreiras mentais e investindo em informação, qualificação e consultoria especializada.
O comércio exterior é uma oportunidade real para empresas de todos os portes. Ele gera empregos, fortalece a economia e posiciona o Brasil como um ator relevante no cenário internacional.
E a ACCROM segue lado a lado com empresários e empreendedores que desejam dar esse passo.
📊 Palavras finais: O Brasil mostrou em agosto que é possível vencer desafios externos com estratégia, resiliência e inovação. Que esse seja um marco para que mais empresas se sintam motivadas a explorar o potencial exportador e conquistar espaço no mundo.





