Acordo Mercosul–EFTA amplia oportunidades para o café brasileiro em mercados de alto valor agregado

O Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), assinado em 16 de setembro de 2025, no Rio de Janeiro, representa um dos marcos mais relevantes da diplomacia comercial recente.

Mais do que uma vitória diplomática, o tratado simboliza um salto estratégico para a inserção internacional dos produtos agroindustriais brasileiros, com destaque para a cafeicultura, um dos símbolos mais fortes da economia e da identidade nacional.

Com o novo acordo, o Brasil ganha acesso ampliado a mercados de alto poder aquisitivo, como Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein — países reconhecidos por sua exigência em qualidade, sustentabilidade e rastreabilidade. Para o setor do café, isso significa novas oportunidades de exportação com maior valor agregado e fortalecimento das marcas brasileiras no cenário global.


O que é o acordo Mercosul–EFTA

A EFTA (European Free Trade Association) é um bloco econômico formado por quatro países europeus que não fazem parte da União Europeia: Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein. Apesar de sua pequena população combinada (cerca de 14 milhões de habitantes), a região está entre as mais ricas e sofisticadas do mundo, com alto poder de compra e elevado padrão de consumo.

Já o Mercosul, bloco que reúne Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, busca, por meio desse acordo, aprofundar a integração comercial e atrair investimentos estrangeiros, reduzindo tarifas e barreiras técnicas para bens e serviços.

De acordo com o Itamaraty, uma vez em vigor, o acordo garantirá livre acesso a quase 99% do valor exportado pelo Brasil em bens agrícolas e industriais. Isso significa uma abertura sem precedentes para produtos com alto potencial de diferenciação — como o café torrado e embalado, o açúcar premium, o mel de origem controlada e o vinho artesanal.


O impacto direto sobre o café brasileiro

Entre todos os produtos agrícolas beneficiados, o café desponta como um dos grandes vencedores do acordo Mercosul–EFTA. Historicamente, o Brasil tem papel dominante no mercado global de café verde (em grão cru), sendo responsável por cerca de 35% das exportações mundiais.

Entretanto, o país ainda exporta majoritariamente matéria-prima sem beneficiamento, enquanto a torrefação e o branding — etapas que mais agregam valor — são realizados no exterior.

O novo acordo muda esse cenário ao eliminar imediatamente as tarifas para cafés torrados e processados, favorecendo empresas e cooperativas que investem em industrialização, design e posicionamento de marca.

Essa mudança cria um incentivo direto para a produção nacional de cafés especiais e gourmet, abrindo portas para que torrefadoras brasileiras conquistem espaço nas prateleiras e cafeterias dos mercados mais exigentes do planeta.


Mais espaço para o café torrado e de origem controlada

A eliminação de tarifas sobre o café torrado e solúvel significa uma oportunidade concreta para expandir o valor agregado das exportações brasileiras.

Com a demanda crescente por cafés premium e de origem sustentável, os consumidores europeus valorizam cada vez mais histórias por trás das marcas, rastreabilidade, embalagens diferenciadas e certificações socioambientais.

Isso abre um caminho promissor para regiões produtoras que já possuem Indicação Geográfica (IG), como Cerrado Mineiro, Mantiqueira de Minas, Alta Mogiana, Sul de Minas e Espírito Santo.

O acordo prevê o reconhecimento e a proteção de 63 Indicações Geográficas brasileiras, o que impede imitações e reforça a autenticidade dos produtos. Assim, cafés brasileiros poderão competir não apenas pelo preço, mas pela história e reputação associadas à sua origem.


Valorização das Indicações Geográficas (IGs)

A proteção das Indicações Geográficas é um dos pilares mais importantes do acordo. Esse mecanismo garante que produtos de uma determinada região — reconhecidos por suas características únicas — sejam protegidos contra falsificações ou uso indevido de nome.

No caso do café, isso significa que marcas de fora do Brasil não poderão comercializar produtos com nomes associados a regiões como “Cerrado Mineiro” ou “Mantiqueira de Minas”, sem que realmente tenham origem nesses locais.

Essa proteção fortalece a reputação do café brasileiro e ajuda a diferenciar o produto em mercados sofisticados, como o suíço e o norueguês, onde o consumo de cafés de origem e microlotes cresce de forma constante.


Facilitação do comércio agropecuário e previsibilidade logística

Outro avanço importante do acordo Mercosul–EFTA é a simplificação de barreiras técnicas e sanitárias. A implementação de mecanismos como o prelisting (reconhecimento prévio de estabelecimentos exportadores) e a regionalização sanitária trará mais agilidade e previsibilidade às exportações de produtos agrícolas e industrializados.

Isso reduz riscos de atrasos e custos operacionais — aspectos fundamentais para o setor cafeeiro, em que tempo e qualidade de armazenagem fazem toda a diferença.

A CEO da ACCROM Consultoria em Logística Internacional, Cristiane Fais, destaca que o sucesso das exportações dependerá da eficiência logística e da preparação estratégica das cooperativas e torrefadoras brasileiras.

“Não basta apenas eliminar tarifas. Os mercados da EFTA têm consumidores sofisticados, que valorizam marcas com origem clara, embalagens diferenciadas e logística confiável. Isso exige das cooperativas e exportadores brasileiros um olhar atento para toda a cadeia, do campo ao porto”, analisa.


Desafios: rastreabilidade, sustentabilidade e certificações

Se por um lado o acordo amplia o acesso, por outro eleva o nível de exigência.

Os consumidores da EFTA são conhecidos por priorizar produtos sustentáveis, rastreáveis e socialmente responsáveis. Isso significa que as cooperativas e produtores precisarão investir em certificações internacionais, como Rainforest Alliance, Fair Trade, Orgânico Europa e Carbon Neutral Coffee.

Além disso, aspectos como embalagens recicláveis, pegada de carbono e logística verde serão cada vez mais determinantes na decisão de compra.

Para Cristiane Fais, essa nova fase trará uma profissionalização natural ao setor:

“O café brasileiro já é respeitado pela qualidade, mas agora precisamos garantir consistência de entrega, prazos mais curtos e adaptação às exigências alfandegárias desses países. É um movimento que vai profissionalizar ainda mais o setor e abrir espaço para novas marcas brasileiras no cenário global”, complementa.


Logística internacional como diferencial competitivo

Em um mercado cada vez mais competitivo e exigente, a logística internacional deixa de ser apenas uma etapa operacional e se torna um diferencial estratégico.

A ACCROM, com sua experiência em consultoria logística, planejamento de exportações e gestão aduaneira, atua justamente nesse elo: integrando planejamento, eficiência e inteligência de mercado para garantir que o produto chegue ao destino final com qualidade, agilidade e previsibilidade.

Essa visão integrada é o que permite às empresas reduzir custos, mitigar riscos e conquistar novos mercados de forma sustentável.

Para os exportadores de café, isso significa sincronizar processos desde a colheita até o embarque, assegurando conformidade documental, temperatura ideal de transporte, rotulagem compatível e cumprimento de exigências técnicas de cada país importador.


Um novo capítulo para o café brasileiro

O Acordo Mercosul–EFTA marca o início de uma nova era para o café brasileiro — uma era em que qualidade, origem e logística se unem para construir valor.

Com tarifas reduzidas, proteção de origem e reconhecimento internacional, o Brasil tem agora a chance de consolidar sua posição não apenas como o maior produtor de café do mundo, mas também como referência em cafés premium e sustentáveis.

O desafio está em transformar essa oportunidade em estratégia — e é justamente nesse ponto que a atuação consultiva da ACCROM se torna essencial: orientar empresas e cooperativas para que aproveitem cada vantagem do acordo com segurança, planejamento e eficiência logística.


Conclusão: o café brasileiro pronto para o mundo

O novo acordo entre Mercosul e EFTA vai muito além da redução de tarifas. Ele representa um convite para o Brasil assumir o protagonismo global no segmento de cafés de alto valor agregado, transformando qualidade em prestígio e prestígio em resultados.

Com preparo técnico, gestão estratégica e parcerias sólidas, o país tem todas as condições de elevar sua presença nos mercados mais exigentes do mundo.

E a ACCROM seguirá ao lado dos produtores, cooperativas e empresas exportadoras, conectando o campo brasileiro aos principais centros consumidores do planeta, com inteligência logística, visão de futuro e compromisso com a excelência.


ACCROM Consultoria em Logística Internacional
🌐 www.accrom.com.br
📧 contato@accrom.com.br
📍 Ribeirão Preto – SP

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