A China esgotou a cota de importação de carne bovina e, a partir daí, todo volume que passar do limite paga uma sobretaxa de 55%. Somada à tarifa de importação de 12%, a carga chega a 67% — e o Brasil é justamente o país que mais embarca para lá.
Os números ajudam a medir o tamanho disso. De janeiro a agosto deste ano, o Brasil exportou cerca de 2,2 milhões de toneladas de carne bovina; quase 900 mil foram só para a China, mais de 40% de tudo o que a gente exporta. O segundo maior comprador, os Estados Unidos, ficou em torno de 269 mil toneladas no mesmo período. A cota brasileira — 1,106 milhão de toneladas em 2026 — é a maior já concedida a um único país; a da Argentina, a segunda colocada, é menos da metade.
Vale dizer o que a medida não é: não é um gesto contra o Brasil. A China abriu uma investigação interna, concluiu que o avanço das importações prejudicava seus produtores e criou cotas para todos os fornecedores — a Austrália, inclusive, bateu a dela antes, em junho.
Na coluna desta semana, Cristiane Fais explica o que muda para frigoríficos e pecuaristas e por que a saída não é brigar com o maior cliente, e sim reduzir a dependência dele. O caminho já está sendo aberto: o Vietnã habilitou novos frigoríficos brasileiros e a Indonésia aprovou 21 plantas só neste ano, chegando a 73 autorizadas.
🎙️ Coluna de comércio exterior com Cristiane Fais
📺 Jornal da PANews Ribeirão — Jovem Pan News
🗣️ Apresentação: Caparelli e Thiago




